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DENTRO DE TI VER O MAR | CRÍTICA | RUI LAGARTINHO | TIME OUT

 

Dentro de Ti Ver O MarDentro de Ti Ver o Mar – Romance
de Inês Pedrosa
Edição portuguesa: 344 páginas, Dom Quixote
Edição Brasileira: 256 páginas, Alfaguara

 

Nunca como neste seu novo romance Inês Pedrosa levou tão a sério a sua missão de cronista dos tempos que lhe coube viver: "Não se podia viver no século XXI sem um fornecimento substancial de cinismo." Dentro de Ti Ver o Mar é um romance sobre o amor e a elasticidade da corda que testa os seus limites. A história central – de Rosa, uma fadista arrojada na crueza dos poemas que canta, e Gabriel, um livreiro pouco desassossegado –, inspira uma escrita de tom "antes quebrar que torcer", seca e acutilante: "Rosa não conseguia viver sem desistir de ser feliz. Gabriel não conseguiria viver se acreditasse no peso insuportável da felicidade." Pelo meio há uma princesa que vem de tempos antigos mas que arde bem e depressa, depois de chocalhar a narrativa.
O romance abre com uma citação das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa e percebemos que Inês Pedrosa gosta de se sentir herdeira desta família e do desassombro destas escritoras. Eis Rosa perdida: "Estava exausta de procurar terra no corpo dos outros. Não havia terra para lá das fronteiras da pele; cada pessoa era um país, quando o conseguia ser."
Dentro de Ti Ver o Mar é um romance forte que fala de gente frágil. Escrito hoje para ser lido agora, foi no entanto pensado para sobreviver a qualquer prazo de validade nesta sua vontade de cumprir o dever cívico de ser voz de um tempo. Se há coisas que não mudam e se calhar não mudarão nunca na relação entre os homens e as mulheres, podemos pelo menos não nos conformarmos.

Rui Lagartinho, Time Out, 13 de Novembro de 2012

 

 

 
 
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